O Bloco de Esquerda (BE) vai questionar o Governo sobre o encerramento das urgências pediátricas da Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões, no Centro Hospitalar Tondela-Viseu. O anúncio do fecho do serviço, todas as noites das 20h00 às 09h00 a partir de 01 de junho, foi feito na segunda-feira (20 de maio).
O BE, em comunicado, lembra que desde o dia 01 de março, com a implementação do Plano de Contingência da Urgência Pediátrica, a mesma já encerrava nos períodos noturnos, de sexta-feira a domingo.
“As urgências mais próximas, com pediatras, situam-se a 80km, em Aveiro e na Guarda, ou em Coimbra, a 90km, implicando deslocações em serviços ainda portajados ou em obras, no caso do IP3”, realça.
Os bloquistas consideram que o facto de haver cada vez menos profissionais para garantir o serviço de urgência pediátrica pode levar, no futuro, a uma situação extrema de encerramento do bloco de partos. “Lembramos que, em Viseu, já decorreram 178 partos relativos ao distrito da Guarda, por encerramento do bloco de partos local, durante os fins de semana durante parte do ano de 2023, principalmente no verão. Esse número é cerca de 40% dos partos ocorridos no Hospital Sousa Martins, na Guarda (450 partos) nesse ano”, refere o BE, acrescentando que o problema com as urgências pediátricas é ainda mais antigo. “Em 2023, durante o verão, pediatras de outros hospitais realizaram turnos, em prestação de serviços, no hospital de Viseu. O concurso do ano de 2023 ficou deserto no que se refere à especialidade, em Viseu”, lembra.
Perante a situação, que o Bloco de Esquerda considera grave, o BE diz que é necessário “encontrar explicações e soluções para sucessivos problemas, não só em serviços de urgências, como nos cuidados primários um pouco por todo o distrito, agravados por uma situação de interioridade”. “Urge travar o processo de desestruturação em curso do SNS - Serviço Nacional de Saúde”, sublinha, e defende a abertura de um regime de exclusividade, de adesão voluntária para todos os trabalhadores do SNS, com majoração dos seus salários em 40%, permitindo captar profissionais.
“Será necessário melhorar as condições de trabalho para todos os profissionais do SNS”, conclui.

