E se o som da paisagem pudesse materializar-se numa imagem? Este foi o ponto de partida de “Nave Escutatória. Ficção”, uma residência artística produzida pela Binaural Nodar, que acolheu o artista visual Luciano Piccilli (Argentina), em Vouzela, entre os dias 21 setembro a 15 de outubro.
Durante esse período, Luciano Piccilli desafiou jovens estudantes da Escola Profissional de Vouzela a participarem nas várias etapas do projeto comunitário, que, de forma simbólica, teve a base no viveiro municipal.
Numa primeira fase, foi feita a captura sonoplástica do rio Zela e da paisagem envolvente, bem como a recolha de materiais naturais, desde folhas, areia, pedras e bolotas, entre outros. Posteriormente, foi construído o dispositivo que transforma o som, através das vibrações, em imagens, criando uma partitura visual do território. Os fotogramas ganharam forma com recurso a processos químicos e analógicos tradicionais, que os alunos puderam também experienciar.
O resultado final foi apresentado com a exposição das várias imagens criadas pelos estudantes.
O coordenador da Binaural Nodar, Luís Costa, fez um balanço da residência artística realçando o facto de aproximar “dois universos aparentemente distintos, a fotografia e o som, a partir de uma abordagem física e analógica, ou seja, não digital”. “É uma proposta que ganha particular sentido junto de uma geração que cresceu rodeada de ecrãs, e que lhe oferece outra forma de olhar e de escutar”, notou.
Deixando uma palavra aos parceiros – Escola Profissional e Município de Vouzela –, o responsável enquadrou o projeto no percurso de duas décadas de atividade da Binaural Nodar na região e na preocupação em desenvolver iniciativas dirigidas à infância e à juventude.