“Dar mais tempo ao presente” é a proposta do Teatro Viriato, em Viseu, para a temporada de setembro a dezembro deste ano. Até ao final de dezembro, 25 atividades cruzam criação contemporânea, memória, participação, acessibilidade e diálogo internacional em Viseu.
"Num momento em que o tempo se apresenta cada vez mais fugaz, e em que parece ser cada vez mais difícil contrariar isso, acreditamos que é necessário, ou mesmo obrigatório, criar espaço para contrariar esta aceleração. Nesta temporada, há uma dramaturgia clara, uma ideia que atravessa toda a programação e que, de alguma forma, é também uma proposta que fazemos a quem nos visita: Dar mais tempo ao presente. E se, por um lado esta afirmação pode parecer um cliché, a nosso ver, neste momento, neste tempo em que nos encontramos, é sem dúvida uma ideia que queremos sublinhar: dar mais significado ao tempo, ao nosso tempo individual, mas também ao nosso tempo coletivo", afirma António M Cabrita, diretor de Programação do Teatro Viriato.
A nova temporada, que inicia a 19 de setembro com a apresentação de “Promised Valley Conference Center”, de Mickaël de Oliveira, aposta fortemente na criação contemporânea portuguesa, com sete coproduções, cinco produções próprias e sete residências. Entre os destaques, a estreia de “Quimera”, da companhia Caótica, nos dias 30 e 31 de outubro, uma criação de Caroline Bergeron que recorre ao teatro de sombras e à projeção vídeo para refletir sobre feminilidade e identidade.
A memória histórica e a sua relação com o presente constituem outra das linhas centrais da programação. Através do olhar dos artistas, a programação propõe um olhar crítico sobre o passado e de como este encontra novamente espaço na sociedade contemporânea. Exemplo disso será a apresentação de “Caminho do Céu”, de Rita Cabaço, a 6 de novembro, um espetáculo sobre a fragilidade humana, campos de concentração e violência. A parceria com o Cine Clube de Viseu e o festival Vistacurta irá proporcionar uma viagem a uma das mais marcantes farsas políticas do Estado Novo, com a exibição do filme “Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar”, de José Filipe Costa, a 13 de outubro.
O programa reforça igualmente o diálogo internacional, com propostas de diferentes geografias e linguagens artísticas. Na música, o Teatro Viriato será palco para a fusão de sonoridades do duo catalão Tarta Relena (24 de outubro) e para o country alternativo dos norte-americanos Lambchop (21 de novembro). Na dança, “Vagabundus”, do coreógrafo Idio Chichava, convida o público a aproximar-se dos rituais de dança do povo Makonde e de canções moçambicanas.
Destaque para “A Invenção da Natureza” (26 e 28 de novembro), de Ana Bento, Bruno Pinto, Joana Providência e Maria Mónica, uma peça com sessões para famílias e para escolas que aborda a relação entre o ser humano e o ambiente. Regressam também à programação projetos como o K Cena – Projeto de Teatro Jovem.
A programação inclui ainda visitas guiadas, conversas pós-espetáculo, projetos de participação comunitária e iniciativas desenvolvidas em colaboração com estruturas e artistas locais.
Foto: Dão Digital