A população do norte do concelho de Mangualde está contra a possibilidade da empresa Felmica avançar para a prospeção e pesquisa de depósitos minerais de Quartzo e Feldspato, na área designada “Cancela-Moitas”, localizada na União de Freguesias de Tavares e São João da Fresta, no concelho de Mangualde, e na freguesia de Casal Vasco, no concelho de Fornos de Algodres.
Até quinta-feira (11 de junho), decorre, na Direção Geral de Energia e Geologia, o período de participação pública, antes da atribuição dos direitos de prospeção.
Entretanto, foi criado o grupo “Defende a nossa Terra”, que apela à população que aceda à plataforma www.participa.pt para contestar a iniciativa.
“A participação pública é um instrumento poderoso de cidadania. Não deixe que decidam por si”, refere.
Um dos elementos do grupo, sem querer ser identificado, contou à Dão Digital que a maior preocupação são os recursos hídricos, que com a intervenção podem ficar afetados. O facto de já ter decorrido em outros tempos, na zona, a prospeção de Volfrâmio, contaminado as águas com radão, o receio passa também pela possibilidade de reativação dessa contaminação, segundo os promotores da contestação. A “destruição” da paisagem é outra preocupação dos locais.
A população estranha que a participação pública já decorra desde o dia 27 de abril e que não tenha sido divulgada de forma mais ampla.
No dia 3 de junho, a empresa Felmica realizou uma sessão de informação, na Junta de Freguesia de São João da Fresta, mas a população decidiu unir-se e organizar uma recolha de assinaturas em toda a freguesia de São João da Fresta e nas aldeias de Vila Cova e Torre. Segundo a fonte, cerca de 200 assinaturas já foram recolhidas. Segundo o grupo criado, o abaixo-assinado será anexado na plataforma para demonstrar que a população não concorda com a prospeção. Esta segunda-feira (8 de junho), o grupo “Defende a nossa Terra”, também enviou um email à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com o objetivo de expor as preocupações e receios da população.
À Dão Digital, o presidente da Câmara Municipal de Mangualde confirmou que a empresa contactou a autarquia, em 2022, para garantir que o PDM (Plano Diretor Municipal) permitia realizar os trabalhos. Marco Almeida acrescenta que a Câmara Municipal já fez chegar à Direção Geral de Energia e Geologia que a autarquia não está interessada que a prospeção avance no concelho.
Foto: Direção Geral de Energia e Geologia